Em 2005, eu e minha
irmã íamos e voltávamos do colégio com uma senhora chamada Vitória. Era assim
6:45 ela passava em nossa casa e nos pegava, e depois passava em várias outras
casas até completar o carro. Assim, 6:55 costumava passar na casa de uma garota
chamada Alice. Mas era incrível como a garota nunca estava pronta. Todo mundo
no carro ficava esperando.
Dona Vitória nunca
foi muito paciente, na esquina da rua de Alice já começava a buzinar. Era
sempre a mesma história, buzina daqui, buzina de lá e ela nunca aparecia. Após
alguns minutos ouvíamos a garota gritando dentro de casa: "CADÊ MEU
TÊNIS?" e a mãe respondia "NÃO SEI, VOCÊ QUEM GUARDOU ELE
ONTEM!", e a menina retrucava: "CADE MEU TÊÊÊNIIIIIIIS?". Após
alguns berros, algumas buzinas, dona Vitória finalmente resolvia desligar o
carro. E aí vinham outros berros: "ALICEEE JÁ TOMOU CAFÉ DA MANHÃÃ??"
"NÃÃÃÃÃO!" "ASSIM VOCÊ NAO PODE IR NA ESCOLA MINHA FILHA!".
E aparecia ela no portão, com um pé com tênis e o outro de meia branca dando
pulinhos e tentando calçar o outro pé. A mochila ia pulando nas costas e dando
alguns solavancos. A velha ficava falando que não ia mais buscá-la, pois já
estávamos atrasados. Ela nem ligava, continuava pulando e calçando o par de
sapatos.
Todos no carro
ficavam mega irritados. Ela se jogava no banco de trás e o carro saia ate
cantando pneu. Era uma corrida contra o tempo pra chegar no colégio às 7:10,
tempo limite pra conseguir assistir a próxima aula. Foi assim, entre caçadas de
tênis, falta de café da manhã, gritos e buzinas, carros arrancando e cantando
pneu que durante alguns anos fui para o colégio. Pra falar verdade, renderam-me
boas histórias.
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