sábado, 13 de outubro de 2012

Cadê meu tênis?



                Em 2005, eu e minha irmã íamos e voltávamos do colégio com uma senhora chamada Vitória. Era assim 6:45 ela passava em nossa casa e nos pegava, e depois passava em várias outras casas até completar o carro. Assim, 6:55 costumava passar na casa de uma garota chamada Alice. Mas era incrível como a garota nunca estava pronta. Todo mundo no carro ficava esperando.
                Dona Vitória nunca foi muito paciente, na esquina da rua de Alice já começava a buzinar. Era sempre a mesma história, buzina daqui, buzina de lá e ela nunca aparecia. Após alguns minutos ouvíamos a garota gritando dentro de casa: "CADÊ MEU TÊNIS?" e a mãe respondia "NÃO SEI, VOCÊ QUEM GUARDOU ELE ONTEM!", e a menina retrucava: "CADE MEU TÊÊÊNIIIIIIIS?". Após alguns berros, algumas buzinas, dona Vitória finalmente resolvia desligar o carro. E aí vinham outros berros: "ALICEEE JÁ TOMOU CAFÉ DA MANHÃÃ??" "NÃÃÃÃÃO!" "ASSIM VOCÊ NAO PODE IR NA ESCOLA MINHA FILHA!". E aparecia ela no portão, com um pé com tênis e o outro de meia branca dando pulinhos e tentando calçar o outro pé. A mochila ia pulando nas costas e dando alguns solavancos. A velha ficava falando que não ia mais buscá-la, pois já estávamos atrasados. Ela nem ligava, continuava pulando e calçando o par de sapatos.
                Todos no carro ficavam mega irritados. Ela se jogava no banco de trás e o carro saia ate cantando pneu. Era uma corrida contra o tempo pra chegar no colégio às 7:10, tempo limite pra conseguir assistir a próxima aula. Foi assim, entre caçadas de tênis, falta de café da manhã, gritos e buzinas, carros arrancando e cantando pneu que durante alguns anos fui para o colégio. Pra falar verdade, renderam-me boas histórias.

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